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GESTÃO

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REENGENHARIA OU ENGENHARIA. 

Substitutas ou Complementares?

in Semanário Económico, nº 796, 12 de Abril de 2002

Em 1993 chega ao mercado um livro que se torna famoso, “Reengineering the Corporation – A Manifesto for Business Revolution” dos americanos Michael Hammer e James Champy.

Este é um livro muito aplaudido, mas também muito criticado. Aplaudido nos dois primeiros anos de vida, é criticado nos anos seguintes, à medida que os resultados das “reengenharias de negócio” começam a falhar os objectivos prometidos e o conceito começa a ser conotado com “downsizing” ou, de uma forma mais brutal, com despedimento. O evoluir desta situação leva ao cuidado actual com o emprego da palavra Reengenharia e nalguns casos a extremos ridículos, em que a sua utilização é quase completamente proscrita. 

Porquê esta situação? Será que a conotação com despedimento baniu o conceito de Reengenharia das preocupações dos executivos? Será que as empresas começaram a funcionar pior depois dos projectos de reengenharia que procuraram implementar e este facto levou ao descrédito do conceito? Ou será que a reengenharia dos processos de negócio já não faz sentido no momento económico actual?

Em 1993 começaram a aparecer os primeiros sistemas de informação de gestão empresarial assentes em plataformas cliente/servidor. Esta plataforma é fundamental para a futura explosão do mercado de software empresarial, pois irá permitir baixar, substancialmente, os custos de acesso a novas tecnologias pelas empresas de menor dimensão.

No entanto, não é só nos menores custos da plataforma que está a mais valia para a empresa, é também, e fundamentalmente, no número, qualidade e abrangência funcional das aplicações informáticas entretanto criadas com base nesta plataforma.

Sendo uma plataforma com base em sistemas “abertos”, especialmente Unix, e mais recentemente Linux, é mais barata, e por isso mais acessível aos investimentos das “software houses” que a elegeram como plataforma prioritária no desenvolvimento de novas aplicações. É, desta forma, que começa um período frenético de criação, conversão e migração de código de programação das anteriores tecnologias para as mais modernas. Até porque começava a antecipar-se o início de um período de procura exponencial por novas soluções informáticas. Começava a pensar-se na resolução do “bug” do ano 2000. Previa-se a substituição de muito hardware e software.

Até aos anos 1995/1996, o conceito de Reengenharia de Processos esteve bastante afastado da Engenharia Informática. As empresas procuravam realizar projectos de reengenharia de processos em independência quase total das tecnologias que automatizavam esses processos. Por seu lado, as aplicações informáticas ainda estavam construídas com uma forte lógica funcional, o que ocasionava muitos “cortes” nos processos e reduzia significativamente o impacto da reengenharia. Nesta fase, a Reengenharia e a Engenharia “atrapalhavam-se” uma à outra.

Entretanto, o conceito de Reengenharia de Processos entra na Engenharia Informática e surgem os primeiros sistemas que permitem uma efectiva integração de processos, são os designados ERP (Enterprise Resources Planning).

Nesta fase, que vai de 1996 a 2001, dá-se a inserção dos conceitos de Reengenharia nos softwares aplicacionais de gestão empresarial e surge a célebre frase “faça a reengenharia dos seus processos de negócio com o software XYZ”. É o período em que a Reengenharia é substituída pela Engenharia e quase desaparece das preocupações dos gestores. Só quando se fala em “e-business” é que surge novamente, e muito vagamente, a opinião de que é fundamental rever e criar novos processos de negócio.

Mas, neste período, a evolução tecnológica é tão rápida, surgem tantos novos conceitos, a Internet faz avolumar os investimentos em tecnologias (muitas delas sem sequer algumas vez serem implementadas), os “deadlines” para finalizar projectos são cada vez mais apertados, etc., que muito pouco tempo é deixado para poder pensar-se nas outras duas componentes de um sistema de informação: Pessoas e Processos. As tecnologias só funcionam, se as pessoas as entenderem e explorarem e com isso inovarem e criarem processos de negócio.

Hoje que estamos em 2002, ano particularmente difícil para muitos países, empresas e pessoas, gostaria de a(o) convidar a (re)visitar “Reengineering de Corporation” e a colocar uma especial ênfase na leitura do seu primeiro capítulo, com o curioso título de “the Crisis that will not go away”. Penso que encontrará exemplos daquilo que ainda hoje acontece em empresas que conhece.

No entanto, desde 1993 que se aprendeu muito sobre a capacidade das pessoas para assimilarem novos modelos de negócio, sobre o impacto da transformação de processos no evoluir do negócio das empresas, sobre a introdução contínua de novas tecnologias de informação, em suma, sobre a dinâmica empresarial.

Penso que, está na hora de voltarmos a olhar com atenção para os conceitos de reengenharia de processos, não numa óptica de redução indiscriminada de custos como no passado, mas sim numa óptica de optimização de desempenho. Não numa óptica negativa, e com os resultados que conhecemos, mas sim numa óptica positiva e que enquadre uma análise contínua do evoluir da situação dos processos. Quantas empresas em Portugal fazem simulação de processos? (Sabiam que os processos dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Salt Lake City, foram simulados antes de implementados?)

Mas mais, agora que a “webização” está a alastrar nas empresas, continua a colocar-se uma ênfase enorme nas mudanças tecnológicas como factor fomentador da competitividade. Ainda não é vulgar a recorrência à identificação detalhada das necessidades e requisitos dos clientes externos (consumidores) e dos clientes internos (utilizadores). Continua a acreditar-se que só com melhor tecnologia é possível superar a concorrência, independentemente do facto dessa tecnologia não ser facilmente compreendida pelos utilizadores, nem estes estarem muitas vezes capacitados para lhe darem a melhor utilização. Ora, é nesta fase que é fundamental olhar novamente para a integração/ligação entre pessoas e tecnologias que é feita pelos processos de negócio. 

A Reengenharia volta a estar tão actual como no passado, mas agora que sabemos mais, podemos dar-lhe uma melhor utilização. Podemos tirar-lhe a carga negativa, e utilizar o conceito associado em projectos de; avaliação do desempenho empresarial, implementação de novos conceitos de negócio, análise do desempenho tecnológico e optimização da relação pessoa-tecnologia.

Reengenharia e Engenharia são complementares. As duas devem ser implementadas em paralelo, mas nunca esquecer o factor humano, porque é neste que está a diferença entre o sucesso e o insucesso empresarial.

 

 

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