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SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

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Free Software - o futuro das TI

in Semanário Económico, nº 850, 24 de Abril de 2003

Aos sistemas operativos proprietários sucederam-se os sistemas abertos garantindo um maior grau de interoperacionalidade.

Neste momento, em que passou o frenesim da Internet, esta continua a alterar substancialmente o status quo vigente em vários níveis da nossa sociedade. Sendo o mundo das tecnologias de informação extremamente recente, menos de 50 anos, ele tem sofrido modificações radicais nos anos mais recentes.

Após um período mais ou menos longo, em que dominavam os sistemas operativos proprietários, sucederam-se os designados sistemas abertos garantindo um maior grau de interoperacionalidade entre as várias plataformas e apostando no conceito cliente-servidor. Daqui até ao surgimento da Internet mediou um curto período de tempo. Toda esta evolução permitiu integrar cada vez mais entidades no mundo dos sistemas de informação. Primeiro só grandes empresas, a seguir médias e pequenas empresas, e muito mais recentemente o cidadão no conforto da sua casa. E este último passo, só potencializado pela Internet, fez surgir novos conceitos que estão a alterar significativamente as linhas de força no mercado das tecnologias de informação, na mesma medida em que abrem novos e imensos horizontes de oportunidade. Um destes novos conceitos é designado por “Software Livre”[1].

Este novo conceito surgiu com o nascimento do sistema operativo LINUX (criado originalmente por Linus Torvalds), mas contando com o apoio de programadores em todo o mundo. Mas a Internet necessita de muitas e variadas tecnologias, e porque não criar estas novas tecnologias em formato de “software livre”? Foi o que continua a acontecer. Surge o APACHE, considerado por muitos o melhor “servidor web” actual, surge o servidor de base de dados MySQL, que rivaliza com os melhores produtos comerciais, e nasce a linguagem de programação PHP (PHP: Hypertext Preprocessor). Depois de termos esta panóplia de software de base disponível a “custo zero”, o que ainda sobrará para fazer? Pois, muito ... mas que já está em grande ritmo de produção.

Neste momento, começam a ser disponibilizadas as primeiras grandes aplicações de software empresarial do tipo ERP (Entreprise Resource Planning) e CRM (Customer Relationship Management) no formato de “software livre”. Ora, esta tendência está a começar a mudar, ainda que muito devagar, mas já paulatinamente, as relações de força no mercado das aplicações de software empresarial. Basta consultar www.sourceforge.net para começar a ter-se uma primeira ideia do que já está em andamento.    

Porquê investir tanto tempo e esforço no desenvolvimento de um produto para o disponibilizar livremente na Internet, sem receber um valor pelo licenciamento? Como é possível trabalhar para “aquecer”? Qual o impacto deste movimento no mundo empresarial? Qual o impacto na venda de software aplicacional? Que novo mundo está a surgir? Estas são algumas das questões que deve estar a colocar neste momento. Ainda que seja muito difícil, senão mesmo impossível, fazer futurologia no mundo de hoje, vamos procurar dar a melhor resposta a estas questões.

Ninguém trabalha para “aquecer”, no entanto, não é necessário que a dedicação e o esforço de alguém seja premiado directamente com um valor monetário. É este o caso no mundo do “software livre”. As pessoas que se dedicam á produção de “software livre” normalmente recebem o reconhecimento do seu esforço indirectamente. Este reconhecimento surge do facto de ao serem considerados os especialistas no produto que desenvolveram, poderem aproveitar este facto e fazerem-se pagar na venda de outros produtos ou serviços que oferecem. Este é o caso dos criadores do PHP, que com a empresa ZEND vendem um compilador (acelerador) da execução da linguagem, um ambiente de desenvolvimento, formação, etc. A sua credibilidade como especialistas proporciona uma venda mais fácil de produtos ou serviços adjacentes. Esta é uma forma de garantir o retorno de tão grande investimento. Se pensarmos que na Internet estão milhares de milhões de potenciais compradores, podemos ter uma pequena ideia do valor do reconhecimento.

Mas este novo mundo terá também um impacto substancial no mundo empresarial. Primeiro porque torna acessível produtos extremamente valiosos a empresas de pouco recursos económicos, e depois porque dota estas empresas com as ferramentas necessárias para combater as grandes. Até muito recentemente, os investimentos em sofisticadas tecnologias de informação, ainda que vitais, exigiam das pequenas e médias empresas o comprometimento de recursos financeiros e humanos substanciais, e muitas vezes jamais recuperados. Agora passa a ser possível investir “zero”, testar e então implementar novas ferramentas sem uma afectação arriscada de recursos. Esta capacidade, permite já hoje, e potencializará muito no futuro, a produtividade e competitividade das novas empresas.  

Mas acabará a venda de software aplicacional, pelo menos como hoje a conhecemos? Sim, quase de certeza. O conceito de ASP (application service provider) é já o princípio de uma tendência no sentido da redução dos custos de implementação e manutenção de novas tecnologias de informação. Todavia, ainda que de facto não consiga diminuir preços, se pensarmos em termos de todo o ciclo de vida da aplicação, consegue diminuir os custos de entrada (custos iniciais de aquisição), permitindo que muitas mais empresas possam adquirir a sua solução informática. No entanto, esta irá sofrer de algumas rigidez, pois um ASP irá tentar aproveitar economias de escala e propor soluções muito similares. Se a empresa quiser, ou necessitar de maior grau de “customização”, certamente que terá que incorrer em maiores custos de entrada. Apesar de tudo, este conceito vem no seguimento da tendência para a redução de custos de investimento, mas não é tão radical como o “software livre”, que deixa de ser “pago”. Quem vende software, tem de começar a pensar em novas formas de venda que, certamente, passarão por uma maior aposta nos serviços. Senão, será a morte anunciada.

Finalmente, resta responder há última questão. Que novo mundo está a surgir?

Em www.gnu.org está uma expressão curiosa e que aponta para o futuro – Software Livre” é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito, você deve pensar em "liberdade de expressão", não em "cerveja grátis".

E logo a seguir aparece, "Software livre" refere-se à liberdade dos utilizadores executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais precisamente, refere-se a quatro tipos de liberdade, para os utilizadores do software:

  • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0)

  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1). Aceso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade no. 2).

  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e libertar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade beneficie (liberdade no. 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Um programa é software livre se os utilizadores tem todas estas liberdades.”

E mais á frente, “A liberdade de utilizar um programa significa a liberdade para qualquer tipo de pessoa física ou jurídica utilizar o software em qualquer tipo de sistema computacional, para qualquer tipo de trabalho ou actividade, sem que seja necessário comunicar ao desenvolvedor ou a qualquer outra entidade em especial.”

O tecido empresarial português é, essencialmente, constituído por pequenas e médias empresas. O País precisa de mais produtividade e competitividade. Porque não apostar decididamente neste novo mundo – “Software Livre”?

 

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