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GESTÃO

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Reengenharia do Sector Público

in Semanário Económico, nº 879, 14 de Novembro de 2003

Representando o Sector Público quase cinquenta (50%) da economia, ... é fundamental determinar e sustentar convenientemente os passos que têm de ser dados.

Pelo teor das notícias diárias sobre a situação económica e social do nosso país, podemos facilmente constatar que Portugal está “entalado”. Entalado entre a Europa do alto valor acrescentado e a futura Europa dos baixos custos. Com o actual estado de coisas e a evolução que se perspectiva para os próximos tempos (Portugal a divergir economicamente dos actuais Quinze), nada de muito bom pode ser esperado para a melhoria do bem estar dos Portugueses. 

Representando o Sector Público quase cinquenta (50%) da economia, e onde sabemos existirem as maiores ineficiências, desperdícios e carências, é fundamental determinar e sustentar convenientemente os passos que têm de ser dados para alterar a actual situação.

A implementação de um Sistema de Avaliação de Desempenho é uma das medidas que podem concorrer para modificar a situação. Mas atenção, não é suficiente implementar uma avaliação de desempenho que se restrinja ao indivíduo, é preciso avaliar a prestação de “áreas de negócio”, organizações, Institutos e Organismos do Estado, de uma forma “empresarial”. Se este tipo de avaliação não for implementada, a avaliação individual pode ser extremamente afectada pela qualidade da prestação da organização em que o indivíduo se insere (não esquecer a Teoria da Relatividade). A instituição de Sistemas de Avaliação de Desempenho Organizacional é uma medida crítica para a reconversão da actual mentalidade de gestão prevalecente no Estado Português, mas ... não chega.

Num Sistema de Avaliação do Desempenho, a palavra crítica é Avaliação (ou Medição). Ora, para que esta possa ser realizada de forma adequada é preciso que todos os Institutos e Organismos desenvolvam o seu Plano Estratégico de “Negócio”.

Não chega a elaboração do actual Plano de Actividades, que geralmente apresenta as actividades a realizar no próximo ano, muitas vezes decalcadas das realizadas no ano anterior e onde existem muito poucas ou nenhumas referências a objectivos quantificados que se pretendem atingir (redução de custos, satisfação do “cliente”, qualidade de serviço, inovação, etc.).

Um efectivo Plano Estratégico, além do seu carácter plurianual, pois normalmente é elaborado de forma a permitir uma visão dos objectivos que devem ser alcançados a cinco ou dez anos, ajuda a definir e sistematizar um conjunto de medidas (ou projectos) que ao serem implementados transportarão a organização do ponto A, caracterizado pelo valor de determinados indicadores de performance – KPI (Key Performance Indicators), para o ponto B, onde cada um dos anteriores KPI terá um valor objectivo.

Mas, para ser possível caracterizar hoje o Ponto B (desejado), é fundamental definir muito bem o ponto A e a trajectória de evolução para o ponto  B. Onde Estamos?, Onde Queremos Estar?, Como Vamos Lá Chegar? e Quando Vamos Lá Chegar?, são as questões fundamentais que, com as respostas adequadas, permitirão definir o ponto A (actual), o ponto B (futuro) e um conjunto de trajectórias possíveis entre A e B. A Estratégia seguida não é mais do que a escolha e implementação de uma determinada trajectória, ou seja a implementação de uma determinada sequência de projectos.

Podem argumentar que numa sociedade em constante mudança, um Plano Estratégico a cinco ou dez anos é completamente inútil, uma vez que a probabilidade de acontecer no futuro o que hoje pensamos que irá acontecer é muito baixa. É verdade, no entanto, não considero um Plano Estratégico um dogma, mas sim uma ferramenta de enorme utilidade na estruturação de ideias e conceitos, e que nos permite obter uma melhor perspectiva daquilo que deveremos fazer e do que podemos efectivamente fazer. Dá-nos um fio condutor que todos os anos deve ser validado, garantindo-se que o caminho traçado ainda é o mais adequado.

E é aqui que voltamos ao Sistema de Avaliação de Desempenho. O Plano Estratégico é a ferramenta base do Sistema de Avaliação de Desempenho Organizacional. Sem aquele, este nunca será verdadeiramente efectivo. Por outro lado, sem este, qualquer organização anda à deriva. Não tem estratégia quantificada (ideias não chegam) nem forma de conhecer a sua eficácia e eficiência. Numa empresa privada, a percentagem de crescimento dos lucros é uma medida “muito” directa e que permite “facilmente” aferir da bondade da estratégia seguida. Num organismo público, cujo objectivo é servir o cidadão, não existe a medida do lucro, mas podem definir-se medidas, como o grau de satisfação do cidadão, que a podem substituir (quem verifica esta medida?).

Mas, a implementação de Sistemas de Avaliação de Desempenho com obrigatoriedade de definição e controlo de Planos Estratégicos para cada um dos Institutos e Organismos do Estado não é uma tarefa fácil, nem passível de institucionalização em um ou dois anos. Para além de precisar de uma grande força motora inicial, requer uma sustentação contínua, que só pode advir de consensos políticos que extravasem o partido do governo. Sem continuidade qualquer esforço redundará em fracasso, pois a mudança exigida é tão grande, e toca tão fundo em mentalidades e culturas, que existe o grande risco de o ponto B ser pior que o ponto A.

Se forem garantidos os consensos necessários e as forças políticas e económicas sustentarem de forma adequada a implementação de Sistemas de Desempenho Organizacional, e esta implementação for considerada um desígnio nacional (veja-se o caso dos Estados Unidos com o Clinger-Cohen Act), então poderemos dizer que estamos a iniciar uma verdadeira Reengenharia do Sector Público. Estaremos a alterar processos, procedimentos, comportamentos, motivações, objectivos, carreiras, etc, enfim, estaremos a modificar toda uma cultura de trabalho e de recompensa que se tem mostrado completamente inadequada ao momento actual e crescentemente penalizante.

Será que temos energia e vontade para lançar projecto tão estruturante?

 

Mensagem Inicial

Um Pouco de História

O Hiper-Espaço de Negócio

"Um por Todos, Todos por Um"

Gestão de Contratos... (Parte 1)

Reengenharia ou Engenharia...

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Da Dinâmica Empresarial

Da Informação ao Conhecimento

Desempenho Organizacional

Gestão Electrónica Documentos

Plano Estratégico de SI

Produtividade e Complexidade

O Impacto do ERP

A Dinâmica da Mudança

As TI no Sector Público Estatal

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